Dinheiro a vista. Qual será o futuro do WhatsApp?

Nas duas últimas semanas o assunto que vem sendo mais discutido pelos brasileiros são as mudanças que irão afetar o WhatsApp dentro de alguns meses. Sim, o mensageiro está deixando muitos usuários com a pulga atrás da orelha. A popularidade do app é enorme no Brasil: dos 2 bilhões de usuários no mundo, estima-se que mais de 120 milhões venham da nossa terra. Uma pesquisa divulgada no começo de 2020, apontou que o app está presente em espantosos 99% dos smartphones no Brasil. A primeira “bomba” lançada pela equipe de pesquisa e desenvolvimento do WhatsApp foi em relação a obrigatoriedade do compartilhamento de dados com o Facebook. Grande parte dos usuários sabem que o app faz parte do grupo, junto com o Instagram, desde o ano de 2011 quando o fundador e CEO Mark Zuckenberg adquiriu os direitos do mensageiro por US$ 20 bilhões.

Sabemos que o compartilhamento de dados entre plataformas é real e em muitos casos feito de maneira deliberada, sem o consenso das pessoas. Logicamente para usufruir da maioria dos aplicativos você precisa permitir alguns recursos tais como o acesso a sua câmera, aos seus documentos, suas pastas, e até mesmo outros aplicativos instalados no seu dispositivo. Mas com essa decisão os usuários do WhatsApp serão obrigados a possuir uma conta no Facebook para poder utilizar o app. Simples assim? Não é o que parece. O intuito de Mark ao fazer isso, pelo menos no meu ponto de vista como profissional especialista em mídias sociais, é rastrear todos os seus passos nas duas plataformas, reunindo informações tais como interesses, gostos e hobbies para serem usadas por empresas, que em um terceiro momento vão entrar com publicidade paga no WhatsApp. E além disso, o outro motivo é que o Facebook não pode (e não deve) ficar em segundo plano. A maior rede social do mundo, com mais de 2 bilhões de usuários ativos é a maior fonte de receita de Mark. Só para você ter uma noção, o lucro da empresa foi de US$ 18,687 bilhões. Uma alta anual de 11% em relação ao ano de 2019. É realmente impressionante.

Ao relacionar ainda mais o WhatsApp ao Facebook muitos outros recursos estarão disponíveis aos usuários. O primeiro deles e muito aguardado será o WhatsApp Pay que virá ainda neste primeiro semestre de 2021 e com integração com Pix. Nele será possível realizar transações bancárias entre usuários com a segurança da criptografia, 24 horas por dia e 7 dias por semana. Sem dúvida será um avanço enorme no aplicativo. Novos recursos também já chegaram na versão Web do app, tais como desbloqueio por digital, rosto ou íris. O que muitos usuários reclamam é a questão de manter o app conectado no celular para poder utilizar na versão Web. Outros mensageiros tais como Telegram e Signal não possuem essa obrigatoriedade. E também permitem o acesso de uma conta a diversos dispositivos simultaneamente.

Mas o que parecia distante e a cada dia que passa essa percepção vem mudando, é que o nosso querido “Zap” está se assemelhando e muito ao seu concorrente chinês WeChat. Na verdade o WeChat é um Super App. Basicamente é sua vida na tela do smartphone. Ele não apenas permite que você se comunique com a sua família, amigos e colegas, mas traz uma gama de serviços integrados que transforma o seu smartphone em um faz-tudo. É possível acessar serviços públicos, agendar consultas médicas, transferir dinheiro, alugar bicicletas ou chamar um táxi, comprar ingressos de cinema, pedir comida, comprar produtos de grandes redes e comércio local, fazer reservas em hotéis, encontrar ofertas relâmpago, descobrir casas para alugar, no estilo Airbnb, e por aí vai.

Bom, até aqui já deu para entender um pouco qual será o futuro do WhatsApp. Vejo que será muito difícil para os apps mensageiros concorrentes tirar o trono do Zap-Zap. Uma ferramenta indispensável a todos e que veio para ficar.

Texto escrito por: Felipe Oliveira (Consultor de Comunicação e Marketing – Oliveiras Consultoria & Marketing)